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Cerâmica
O cenário industrial de Andradas é hoje dominado pela Icasa, que produz louça sanitária, e, em menor escala, pelas cerâmicas Fiori e Vila Rica, três adegas produtoras de vinho - Piagentini, Campino e Marcon -, empresas de confecções e móveis. A cerâmica Icasa surgiu há 25 anos, por iniciativa de 10 andradenses, em parceria com um grupo de técnicos de fora da cidade, com o objetivo de criar empregos no município e evitar a saída de moradores, principalmente jovens. Com o passar do tempo, permaneceram no negócio apenas os fundadores andradenses. A empresa concorre com outras cinco (Hervy, Deca, American Standard, Celite e Incepa) e detém cerca de 14,0% do mercado nacional de louças sanitárias, com investimento constante em tecnologia, o que já lhe garantiu a certificação ISO.9002. As vendas são feitas através de cerca de 200 firmas de representação. Conforme os entrevistados, a qualidade dos produtos e os cuidados ambientais da produção são referências nacionais. A fábrica é lavada todos os dias e são feitos controles sistemáticos do pó resultante do processo industrial, através de análises laboratoriais. Isso permitiu à empresa, inclusive, negociar com o sindicato dos ceramistas o não pagamento do adicional de insalubridade. Na área externa à fábrica, os efluentes líquidos são tratados e alcançam padrões de reciclagem acima das exigências da FEAM. No último açude do sistema de reservatórios para tratamento de efluentes se faz criação de peixes. Os resíduos são solidificados e depositados em local apropriado. A empresa agora está trabalhando para obter a certificação ISO 14.000. A matéria-prima utilizada vem de fora do município: argila, de Sete Lagoas - MG, de Ribeirão Preto e Suzano, em São Paulo, assim como do Paraná; filito, de Bambuí e Arcos; feldspato, de São Paulo. A Icasa não utiliza insumos do exterior e produtos e materiais necessários ao funcionamento da empresa são preferencialmente comprados em Andradas, quando disponíveis no mercado local. A empresa tem 620 empregados e 70 caminhoneiros terceirizados, apoiados por 20 outros prestadores de serviço, também terceirizados. O salário médio é de R$ 600,00, com cesta básica, refeitório (operado por um concessionário de Andradas) e plano de saúde para o empregado e seus dependentes. O custo mensal com pessoal passa de R$ 1 milhão e representa 60,0% do total. Há uma política de incentivo à melhoria de qualificação dos empregados: a empresa paga 50,0% do custo de qualquer curso que façam, além de oferecer de quatro a cinco cursos por ano na fábrica, em especial sobre liderança, administração do tempo, relações humanas, técnicas de chefia, segurança no trabalho, primeiros socorros etc., com o objetivo de dar uma visão mais amplia aos funcionários e, naturalmente, aumentar a produtividade.
A realidade das outras duas indústrias de produtos cerâmicos de Andradas é diferente daquela da Icasa. Há vinte anos no mercado, a Fiori Cerâmica Artística Ltda. reduziu seu quadro de pessoal de 180 empregados para os atuais 80. A produção de travessas, assadeiras, aparelhos de jantar e café e louças artísticas foi reduzida e há capacidade ociosa no forno, trocado em 1993. Os problemas da empresa começaram com a inadimplência posterior ao Plano Cruzado, em 1986, e pela redução de compras de grandes lojas, como Mesbla, Mappin e Pão de Açúcar. Em realidade, fatores de ordem macroeconômica contribuíram, na avaliação de informantes do setor, para reduzir os negócios no ramo da indústria cerâmica: a mudança de hábitos do consumidor e a abertura do mercado brasileiro aos produtos importados. O hábito de almoçar e jantar fora de casa, o declínio dos almoços de fim de semana em família, o crescimento significativo da indústria de congelados, a entrada no mercado dos recipientes plásticos para serem usados nos fornos de microondas e a concorrência do vidro, em um mercado dominado pela empresa Santa Marina (que detém mais de 80,0% das vendas nacionais, com sofisticados sistemas de distribuição), trouxeram como resultado a redução do consumo de louças de mesa. A importação de produtos cerâmicos, a partir do Plano Real, também representou problema para a Fiori. Conforme os entrevistados, a qualidade dos produtos está sendo incrementada, graças aos avanços tecnológicos, e o fator decisivo de competitividade passa a ser o custo da mão-de-obra: o salário médio mensal pago pela indústria brasileira de cerâmica está próximo de R$ 600,00, contra R$ 30,00 pagos aos ceramistas chineses. Tal realidade fez com que a produção brasileira de louça de mesa se reduzisse em 50,0%. Também como resultado dessa situação, os Estados Unidos baixaram sua produção a zero e os países europeus, com tradição centenária no ramo, estão transferindo fábricas para a China. A Fiori, que já exportou cerca de 70,0% da produção, hoje vende 40,0% para o exterior (dos 60,0% restantes, 5,0% são comercializados em Minas e o restante, em São Paulo, Rio de Janeiro e Sul do País). As mudanças de hábito do consumidor, antes comentadas, estão levando a empresa a diversificar sua linha de produtos e a buscar novos mercados, como, por exemplo, com venda para hotéis e restaurantes. Cerca de 40 representantes no Brasil e algumas tradings comercializam esses bens, que são transportados por firmas terceirizadas para um centro de distribuição em São Paulo. A empresa compra suas matérias-primas - argilas, filito e feldspato - em Minas, São Paulo e Paraná. Por sua vez, a indústria do vinho já teve 42 adegas funcionando em Andradas. Atualmente, são 11 produzindo, das quais três têm maior importância econômica.

Vinho
Com dois cantineiros e o apoio de mais 10 empregados, a Vinhos Campino produz 600 mil litros de vinho por ano, 50 mil litros de cachaça, suco de uva, groselha, jurubeba e jerupiga (um tipo de vinho pré-fermentado). A linha de vinhos é diversificada: tintos e brancos, secos e suaves, demisec (moscato), licoroso e niagara, vendidos em 48 embalagens diferentes. O custo de um litro de vinho varia de R$ 0,80 a R$ 0,90 e o preço de venda vai de R$ 1,50 a R$ 1,70 a garrafa. Em função do tipo de uva produzida localmente, aspecto já mencionado, a empresa compra 60,0% do mosto que consome no Rio Grande do Sul. A Vinhos Campino está no limite de produção, mas existem planos de expansão, com lay-out industrial e máquinas importadas da Alemanha. O projeto depende de capitalização própria da empresa, que não pretende buscar financiamento bancário. Os mercados principais são Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Bahia e Sergipe, atendidos no atacado e no varejo, através de vendedores autônomos. Deve-se destacar que, apesar de diversos informantes ligados à indústria do vinho defenderem a prioridade para desenvolvimento do turismo no município, as adegas apenas começam a se estruturar e equipar para recepção ao turista, que envolveria visita às instalações, degustação e compra dos produtos. Na última Festa do Vinho, apenas duas delas apoiaram o evento. Uma visão para dentro, centrada apenas no próprio negócio, explica essa atitude e ajuda a entender porque Andradas perdeu o posto de enologia, transferido para Caldas, que realizava experiências e análises químicas com variedades de vinho, beneficiando todas as adegas.

Confecções
Quanto às empresas de confecção de artigos do vestuário e acessórios, serviços de acabamento em fios, tecidos e artigos têxteis, vendem muito no próprio município e têm como seu segundo mercado outros estados, notadamente São Paulo. A principal confecção de Andradas é a Treguimar, com 35 anos de atividade e média de 20 empregados (já teve 60 costureiras contratadas). Sua produção é basicamente de roupas de couro. Segundo entrevistados, é uma empresa tecnologicamente atualizada e que trabalha em especial com insumos importados do Uruguai, Chile, Espanha e Japão, com destaque para a camurça. Esses produtos são comprados de fornecedores de São Paulo. A Treguimar não terceiriza atividades, a não ser a contabilidade, e procura diversificar sua linha de produtos. Há artigos de couro similares, cujos preços vão de R$ 100,00 a R$ 350,00. Apesar da concorrência dos produtos do Paraguai (com qualidade inferior) e da Argentina (que, conforme os entrevistados, cheiram muito), a empresa tem mantido um bom nível de vendas, usando basicamente a comunicação promocional em placas de estrada e pinturas em pedras, nas rodovias que ligam Andradas ao estado de São Paulo. Os compradores mais frequentes são de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro, mas também ocorrem vendas para consumidores europeus, que passam pelas lojas da empresa em Andradas e Poços de Caldas. Outra firma importante do setor é a Confecções Jucy, que produz malhas e roupa feminina. Fundada há 25 anos para fazer apenas camisas, tem 40 empregados e terceiriza serviços para 10 costureiras e 5 vendedores em lojas. Os mais de 100 fornecedores são, em sua maioria, de São Paulo, que também é o maior mercado da empresa. Na opinião de informantes, as vendas têm caído, principalmente depois do Plano Real e em função da não ocorrência de invernos mais rigorosos. Dessa maneira, as coleções outono/inverno são prejudicadas, o que afeta todas as empresas do setor. Mas o maior problema apontado foi a concorrência do produto importado, principalmente da Coréia.

Construção Civil
No setor de construção civil, conforme entrevistados, há um clima de expansão dos negócios que poderá ser beneficiado ainda mais pelas perspectivas da colheita e do preço do café, em 1998. Depois do Plano Real, teria havido um incremento significativo de construções para classes de menor renda. De fato, a agência da Caixa Econômica Federal informou ter, nos contratos de financiamento habitacional, um dos principais segmentos de negócios em Andradas. A maioria dos atuais contratos da agência é para clientes com renda de até 12 salários mínimos, com finalidade predominante para compra de imóveis. Os recursos disponíveis são considerados insuficientes para a demanda. Outro indicador do atual momento positivo, vivido pelo setor em Andradas, é a remuneração de pedreiros, superior à observada em Poços de Caldas. Está em andamento no município um empreendimento de 25 prédios, com 600 apartamentos, destinados a compradores com renda mensal estimada acima de R$ 800,00. Cerca de 120 unidades já foram vendidas. Também estão sendo construídas duas galerias para lojas, no centro da cidade, adotando um novo formato arquitetônico para o comércio varejista. A indústria da construção civil em Andradas atende fundamentalmente à localidade, com poucos negócios em municípios vizinhos. O segmento é formado por microempresas e profissionais liberais ou autônomos. Como conseqüência dos aspectos antes apontados, na avaliação de diversos informantes entrevistados está aumentando a especulação imobiliária na zona urbana e o valor dos aluguéis é considerado alto.

Móveis
A indústria moveleira tem uma empresa líder - a Trevisan Móveis- e cerca de 20 fábricas menores, criadas por marceneiros, em sua maioria oriundos da própria Trevisan. Essas fábricas produzem basicamente móveis sob encomenda, em geral armários embutidos e para cozinha, cuja demanda vem aumentando de forma significativa, em função do crescimento da construção civil. A Trevisan tem 120 empregados na fábrica e cerca de 50 no show-room de Andradas e nas lojas em Poços de Caldas, Pouso Alegre, Campinas, Limeira, Piracicaba e Ribeirão Preto. A linha de produtos é de móveis finos, para classe média/alta. A firma criou uma segunda marca - Móveis Itália - para atender a segmentos de classe de menor renda, em função da imagem de produto de maior custo, que tem a Trevisan. Para promover suas vendas, a Trevisan faz uso de mídias de massa em Campinas, Ribeirão Preto e Piracicaba. Ocupa uma área de 44 mil metros quadrados. Não tem projetos de conservação e preservação ambientais, mas instalou cabines apropriadas, no setor de pintura. A matéria-prima vem principalmente do Acre e da Bolívia. Em Andradas, a empresa compra alguns insumos (pregos) e materiais necessários a seu funcionamento, como produtos de limpeza. Também adquire produtos semi-acabados nas cidades paulistas de Limeira, Leme e Araras. É conservadora quanto à terceirização e, por isso, tem transporte e serviço de cobrança próprios, mas está estudando a abertura de franquias.

Fonte: Proder, Sebrae-MG

 
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