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A pecuária bovina em Andradas é predominantemente destinada
à produção de leite. A estrutura em minifúndios está associada à presença
de um pequeno número de cabeças em cada propriedade e a uma reduzida produção
média por produtor. Segundo informantes locais, essa produção média não
chegaria aos 100 litros de leite/dia. Cabe destacar que, na Argentina,
a produção média por estabelecimento chega a 1 000 litros/dia e, nos Estados
Unidos, a 1800 litros/dia. Considerando que o lucro médio por litro, nos
dois países citados, é inferior ao brasileiro, os problemas de rentabilidade
que hoje apresentam os pequenos produtores de Andradas, como os do País,
estão vinculados mais à insuficiente escala de produção que ao preço em
si. Por outra parte, é preciso lembrar que a tendência corrente é de que
o preço continue a diminuir no futuro, devido à maior concorrência. A
saída que vem sendo usada por alguns produtores locais é a venda direta
na cidade, a R$ 0,60 o litro, mas já enfrentando a concorrência do leite
ensacado e do longa vida, o que faz prever o fim desse comércio informal.
Além disso, a vigilância sanitária e o próprio mercado certamente dificultam
hoje e inviabilizarão no futuro a prática desse tipo de comércio. O único
laticínio do município tem SIF registrado e produz queijos, vendidos em
sua maioria para São Paulo. Não obstante, registra-se a presença de outros
180 estabelecimentos que, em 1996, produziram um total de 380 toneladas,
ou seja, também com uma baixa escala média de produção. À falta de economia
de escala deve-se acrescentar o pouco uso de tecnologia no setor. Com
exceção de 10 a 15 propriedades, que investem na melhoria do plantel (há
um estabelecimento produzindo 3000 litros de leite/dia), os demais 850
produtores que comercializam leite permanecem com matrizes e plantéis
considerados de insuficiente qualidade genética. Apenas 30 produtores
utilizam a inseminação artificial em seus rebanhos. Tentativas do Sindicato
Rural de divulgar a técnica, através de cursos específicos, não tiveram
o retorno esperado. Há apenas 7 produtores utilizando ordenha mecânica.
A taxa de vacinação contra aftosa está em 88,0% do rebanho, contra os
95,0% de vacinação exigidos pelos mercados europeus, para comercialização
da produção pecuária. Desde 1980, o rebanho bovino de Andradas vem se
reduzindo - de 30.207 cabeças naquele ano para 29.576, em 1985, e 24.603,
em 1996 (Quadro 16).
Por sua vez, a produção anual de leite também vem caindo: hoje gira em
torno de 7 milhões de litros, tendo chegado a mais de 9,7 milhões em 1980
(Quadro 17). A produção
diária está entre 20 e 22 mil litros. É claro que as dificuldades da pecuária
leiteria de Andradas não são exclusivas do município, mas mostram-se comuns
ao setor. Sob uma perspectiva mais ampla, o que se observa é o deslocamento
da atividade das regiões Sul e Leste do Estado para o Triângulo, Alto
Paranaíba e Noroeste. A razão desse processo está nas vantagens comparativas
que, para a pecuária leiteira, apresentam os cerrados: estrutura fundiária
com estabelecimentos de maior porte e administração mais moderna, topografia
mais favorável (que permite a produção local de insumos básicos, como
grãos e forrageiras), com tecnologia, produtividade, escala e custos mais
competitivos. A suinocultura também vem se reduzindo. De 12.190 cabeças,
em 1985, passou para 7.198 em 1996, conforme o IBGE. A avicultura, entretanto,
que se encontrava em processo de decadência, apresenta sinais de recuperação:
o plantel em 1996 era de 28.0324 aves. Informantes locais informaram sobre
a reativação de granjas e atribuem esse movimento à instalação de um frigorífico
em Poços de Caldas, com capacidade para abate de 3000 cabeças/dia. Um
problema que merece atenção particular é a situação do matadouro municipal,
que encontra-se interditado. A Prefeitura o está reconstruindo, para transformá-lo
em frigorífico. Entretanto, os abates continuam sendo feitos nele, ainda
que precariamente. O IMA implantou um Atestado de Transferência de Carcaça,
para inibir abates sem a devida fiscalização. Os rebanhos de asininos
e muares, bem como de eqüinos, têm pouca importância relativa na pecuária
de Andradas e seus estoques vêm se mantendo estáveis, no primeiro segmento,
e em queda, no segundo. Uma atividade que começa a ganhar corpo é a piscicultura,
com quatro estabelecimentos já produzindo em escala comercial. As espécies
que melhor estão se adaptando são carpa, tilápia e tambaqui. As experiências
tentadas com a criação de trutas não tiveram muito êxito. Destaca-se que
a piscicultura é um ramo que poderá aumentar sua importância relativa,
se inserida em uma estratégia de turismo rural. Merece registro ainda,
pela potencialidade que também poderá adquirir, dentro de uma estratégia
integrada de produtos rurais diversificados para turistas, a existência
de 8 apicultores, com 76 colméias.
Fonte: Proder, Sebrae-MG
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