Primeiros Registros
O que sabemos da história de Andradas e região além do que nos contam os registros? Como vieram parar aqui os primeiros habitantes da região?
Autor: Gustavo Blos

Sempre gostei de história e por vezes procuro descobrir a história por detrás da história e até mesmo a história de antes da história. Pois há alguns dias veio parar em minhas mãos um exemplar do livro “Povoamento do Planalto da Pedra Branca, Caldas e Região” que foi excelente para tirar algumas dúvidas. Todos sabemos que os primeiros registros de Andradas contam de dois fazendeiros que se estabeleceram ao lado do Córrego do Cipó, um em cada margem. Mas como eles vieram parar aqui?
Ouro
Antes de todos os tempos esta região era habitada por índios Caiapós, do grupo Jê (ou Tapuia). Os mineradores ou “faiscadores” desbravaram a região em busca de ouro, a partir de 1740. Era a grande corrida do ouro rumo ao oeste. Em cada ribeirão aurífero brotava um arraial: Santa Anna do Sapucahy, São Francisco de Paula do Ouro Fino, Nossa Senhora da Assunção do Cabo Verde. E assim a fronteira de Minas era empurrada cada vez mais para o oeste. A briga com os índios só acabou com a expulsão “ou extermínio” destes, por volta de 1780.
Estradas
A corrida do ouro rumo ao oeste fez abrir várias estradas pela região. Em 1765 Manoel Velho já andava por estas paragens. A principal estrada estabelecida era a estrada “São Paulo – Goiases”, ligando São Paulo a Goiás, passando por Mogi-Guassú, Ribeirão Preto, Uberaba, etc. Duas estradas quase paralelas cortavam a região. Os mineiros investiam no caminho Ouro-Fino a Cabo Verde, passando por Caldas, enquanto que os Paulistas atravessavam o Jaguary-Mirim, provavelmente perto de São João da Boa vista, passando pelo Ribeirão das Antas, rumo ao Registro de São Mateus (Caconde). Andradas exatamente no meio ainda inexplorada.
Divisas
Enquanto os mineiros ocupavam o Planalto da Pedra Branca os paulistas avançavam sobre o Maciço de Poços de Caldas. A divisa entre as duas capitanias (São Paulo e Minas) ficou praticamente estabelecido no Planalto da Pedra Branca. Os primeiros posseiros da região foram Veríssimo João de Carvalho, na Pedra Branca, nas cabeceiras do Rio Pardo e Inácio Preto de Morais, nos campos das Caldas. Um vindo de Minas e outro de São Paulo. Na capitania de São Paulo era proibida a exploração de ouro por causa da vizinhança da costa marítima. Como Andradas estava na capitania paulista, esta era uma região proibida até então.
A Tranqueira
Dividindo as capitanias, foi feita em 1778 uma espécie de alfândega, a “tranqueira” de Veríssimo João, localizada ao lado do Rio Verde, próximo a Pocinhos. A tranqueira era uma espécie de fecho de paus derrubados, dispostos de tal maneira que, caindo em linha, a copa de um cobria o pé do seguinte. Sua função era demarcar as fronteiras, que os mineiros haviam duramente conquistado e impedir que os paulistas tomassem as terras de volta. Também servia como barreira para evitar o contrabando de ouro e diamantes, uma vez que um homem a cavalo poderia facilmente atravessar das estradas mineiras às estradas paulistas.
Economia
Com o esgotamento das minas o ciclo do ouro dava lugar ao ciclo pastoril e com ele a fazenda de criar. A corrida do ouro dava lugar à corrida pelos campos, onde se podia criar o boi, que podia ser exportado para a “Corte”. A tranqueira foi atravessada pelos mineiros em 1787, que tomaram posse da fazenda abandonada de Inácio Preto. Com eles vieram os fazendeiros que aparecem nos primeiros registros de Andradas, Felipe Mendes e Antônio Rabelo de Carvalho. E assim surgiram as Fazendas Tamanduá e Cipó, as duas próximas ao atual Clube de Campo.
Andradas
Este era o quadro político e econômico da região, mesma época do povoamento de Andradas. Do Clube de Campo para o local onde estamos a cidade levou ainda meio século. Começou com as invernadas, quando o gado era transferido dos campos altos mais frios para as baixadas do Jaguary Mirim. Os mineiros sempre empurrando as fronteiras, que no final foi fixada no Jaguari. Algumas pessoas foram se fixando nos arredores do Jaguari, e então a cidade começou.
Lendas
Diz também que naquela época chega em Caldas um promotor de justiça, moço e solteiro. Foi logo convidado para jantar em casa de gente boa, com moças educadas e finas, e solteiras, prontas pra casar. Como recomendava a educação da época, o jovem promotor não dirigia muitos olhares às lindas moças. Porém reparou e elogiou os belos dentes de uma mucama que servia o café. A dona da casa conteve-se altiva e guardou a falta de tato do jovem promotor. No dia seguinte, a matrona vingativa enviou ao jovem um presente e um bilhete: “Já que você os achou muito bonitos, aí estão os dentes da negra”.
Atualizado: 2/21/2005 1:06:38 AM |